Como é que a tecnologia pode cumprir a promessa da medicina de precisão?

O futuro da medicina não é um mercado massificado de soluções e tratamentos one-size-fits-all.

Atualmente temos de nos contentar com vacinas, cirurgias e medicamentos que fazem o melhor que podem para a maioria das pessoas. No entanto vai sempre haver excepções – custos e tecnologia não nos deixam ajudar sempre toda a gente.

E esse não fosse o standard durante muito mais tempo?

E se cada tratamento desse resposta às necessidades de cada pessoa, com base não só no seu estilo de vida, escolhas e ambiente onde vivem, mas também no seu ADN exato?

E se com a tecnologia certa, legislação, computadores médicos e dispositivos médicos isto já fosse possível?

O que é medicina de precisão?

O termo medicina de precisão refere-se a tratamentos médicos personalizados: uma combinação de medicação, procedimentos, planos de tratamento e aconselhamento concebidos para um paciente individual. Medicina de precisão é definida como “uma abordagem para tratamento e prevenção de doença que  tem em consideração variabilidade individual nos genes, ambiente e estilo de vida de cada pessoa”.

Basicamente os mapas de genes resultantes do Human Genome Project, estão a ser bem utilizadas. Primeiro a informação genética é facultada por doadores. Esta informação é digitalizada e mapeada por computadores médicos e IA, e guardada com segurança com outros dados genéticos.

machine learning pode então analisar estes dados, encontrar padrões e criar ferramentas para encontrar este tipo de biomarcadores em pacientes semelhantes.

Estes dados permitem que os médicos criem estratégias de saúde para pacientes com background étnico ou constituição genética semelhantes. Os pacientes podem por sua vez tornar-se doadores genéticos, criando um set de dados ainda mais personalizado e  extremamente útil  para diagnóstico e tratamento das suas próprias condições.

Porque necessitamos de medicina de precisão?

A verdade é que todos os corpos são diferentes. O que funciona para composição química de um de nós pode ter pouco ou nenhum efeito noutra pessoa. Alternativamente, e talvez mais perigoso, um medicamento ou tratamento pode ter o efeito oposto e fazer mais mal do que bem.

Na medicina é referido como “reação paradoxal”, quando a medicação tem o efeito exatamente oposto ao que era suposto ter. Por exemplo, um número relativamente pequeno de pessoas pode responder a benzodiazepina (um sedativo para ansiedade) tornando-se mais ansioso, falador e cheio de energia. Obviamente para alguém que já sofre de ansiedade essa combinação pode ser catastrófica.

Antidepressivos também são conhecidos por efeitos opostos, assim como outros tranquilizantes, estimulantes e até determinada medicação para a pressão arterial. Qualquer um destes equívocos pode causar danos sérios, e não há forma de saber que um paciente vai reagir mal a certa medicação até a ter tomado. 

Mais ainda, diferentes combinações de medicação podem produzir efeitos secundários raros. Isto cria um verdadeiro campo minado para médicos, pacientes e até farmacêuticos. A única forma de navegar esse campo minado é com um mapa – um mapa personalizado do corpo do paciente até ao seu código genético.

Como é a medicina de precisão atingida?

Um dos caminhos de sucesso de medicina de prevenção é a prática de farmacogenómica. O objetivo da farmacogenómica é personalizar a dose e composição da medicação e tratamentos com base da marcação genética individual de cada um, e factores de risco.

Obviamente que apenas dados sozinhos são só informação: para implementar os insights recolhidos de tanta informação genética, os dados têm que ser organizados, analisados, guardados e mais importante, partilhados.

IA e machine learning, combinados com algoritmos de reconhecimento de padrões são implementados para organizar a informação. No entanto, guardá-la com segurança – ao mesmo temos que a tornamos mais acessível aos profissionais de saúde que a necessitam – pode ser mais complicado.

É aqui que conceitos de vanguarda se combinam: medicina de precisão com partilha de dados em blockchain. Blockchain é, resumidamente uma série de nós de segurança intercontectados que atingem segurança através de ubiquidade: em termos leigos significa que os dados são guardados em vários locais, mas também monitorizado todos os nós na blockchain network.

O que isto significa é que os dados não podem ser roubados ou alterados, e mesmo que sejam acedidos, cada interação é monitorizada.

Isto é útil para algo como medicina de precisão, porque a informação genética de cada uma é informação mais privada possível: ninguém se sentiria confortável em ser doador de informação genética se não tivesse confiança que a sua informação mais íntima e pessoal está segura.

É por esta razão que autenticação de 2 factores e outros métodos de segurança de login são tão importantes.

Médicos e outros profissionais de saúde que querem aceder a informação protegida por blockchain têm de ser capazes de o fazer rapidamente e com segurança.

Computadorestablets e dispositivos médicos com leitores biométricos, RFID, código de barras e smart card podem fazer login com uma passagem e um pin (dependendo da personalização).

Idealmente um prestador de cuidados de saúde deve ter acesso a um sistema com informação genética num blockchain onde seja possível conectar o processo com um portal de paciente já existente.

Nesse caso, o sistema pode ser programado que para que cada vez que um médico, clínico, investigador ou cientista acede à informação genética do doador, o doador seja informado. O doador receberia por exemplo um e-mail ou mensagem que lhe diria quem acedeu à sua informação genética, porquê e que informação foi usada para que fim.

Este tipo de transparência não só aumenta a confiança dos atuais doadores de informação genética, mas encoraja mais pessoas a tornarem-se doadores. Quanto mais informação existe sobre todas as variações de ADN, mais eficientemente podemos usar estes dados para ajudar todos os paciente no futuro.

Onde é que a medicina de precisão já foi instaurada com sucesso?

A medicina de precisão tem visto grandes desenvolvimentos na área da investigação e tratamentos do cancro, usando biomarcadores preditivos da informação genética do próprio paciente.

Estes biomarcadores podem ser analisados para descobrir padrões, do tipo que frequentemente prevê coisas como tumores e outros crescimentos potencialmente cancerígenos.

A medicina de precisão já está em utilização, principalmente no que diz respeito ao tratamento de cancro. O processo geralmente inicia-se com um teste genético onde a informação genética do paciente é mapeada.

Depois um médico ou grupo de médicos analisam os resultados e recomendam um plano de tratamento com base nos sintomas do paciente e os padrões encontrados nos seu ADN e no ADN de outras pessoas com informação genética semelhante.

De seguida os tumores são tratados com terapia direcionada mais personalizada, conforme a predição de reação do paciente (e do tumor).

Em vez de optar por tentativa e erro com quimioterapia e radiação, os profissionais de saúde podem recomendar os tratamentos que serão mais eficientes.

Não só este processo fará com que o processo de tratamento ande com mais rapidez, permite também evitar tratamentos desconfortáveis ou até nocivos que a equipa médica teria de outra forma de experimentar no paciente.

A tecnologia médica certa

Medicina de precisão é uma área em rápida expansão, um processo novo que terá no entanto enorme potencial para melhorar os resultados de paciente de forma mais rápida.

A chave para lançar a medicina de precisão é uma forte estratégia tecnológica, aceitar ideias como blockchain networks (e computadores médicos seguros necessários para as operar), monitores médicos HD, servidores com mais potência para IA e machine learning e uma mudança política para avançar ideias novas.

fonte: MedicalFuturist